Hub Insights

Redução da oferta pode impulsionar subida do boi gordo no 2º semestre?

preço do boi gordo

Com as quedas recorrentes no preço do boi gordo, é natural nos perguntarmos se chegamos finalmente próximos a uma virada sazonal que pode reverter essa tendência. Essa é uma questão extremamente complexa que merece a análise de uma série de fatores para tentarmos traçar perspectivas para o restante do ano de 2023.

Sabemos que houve algumas altas pontuais no mercado do Boi Gordo ao longo da semana passada em diversas regiões, mas ainda não é possível afirmar que atingimos o fundo do poço. Quando olhamos para os dados recentemente divulgados do IBGE, no entanto, podemos formar alguns insights interessantes e até otimistas.

Os números mostraram um aumento no abate de vacas e novilhas no primeiro trimestre de 2023 em comparação com o mesmo período do ano passado. Mais especificamente, um aumento de 17,3% quando comparado com o primeiro tri de 2022, sendo essa a maior variação no abate de fêmeas em relação ao ano anterior para o primeiro trimestre desde 2005.

 

abate de bovinos e preço do boi gordo

 

Leia também:

Mercado do boi gordo: como foi maio e o que esperar até meados de junho?

 

Tendo em vista essa realidade, podemos ter como reflexo uma intensificação do enxugamento da oferta funcionando como um primeiro fator para uma possível estabilização e/ou leve recuperação das cotações projetadas para o resto do ano.

Vale acrescentar ainda que as métricas indicam que o confinamento também está diminuindo, o que reforça essa tese. Além disso, é interessante observar que o mercado de reposição também apresentou alguns sinais de recuperação leve nas praças paulistas neste início de junho. As cotações de todas as categorias de machos subiram nos primeiros 10 dias do mês, indicando uma ligeira redução na oferta.

Portanto, temos um cenário em que o boi gordo está trabalhando lateralizado em suas cotações neste início de mês, assim como a reposição, que apresenta ligeiras altas nas cotações, principalmente nas categorias mais jovens. No entanto, a demanda ainda está aquém do esperado, mesmo com a queda nos preços dos insumos.

Desta forma, temos uma emblemática situação entre o momento atual e a perspectiva futura, onde os contratos futuros para outubro têm sido negociados entre 245 e 250 reais por arroba, ou seja, praticamente sem ágio em relação ao momento atual. Essa situação pode mudar no segundo semestre, quando esperamos uma oferta mais enxuta, o que pode contribuir para um viés mais otimista, embora sem uma explosão de preços muito abrupta como vimos em anos anteriores.

Já em relação ao mercado externo, a perspectiva segue intacta. Continuamos observando um ritmo interessante de exportações, só que com um porém: os preços pagos pelos compradores internacionais ainda estão abaixo do comparativo anual, o que gera um cenário em que o exportador não está disposto a pagar ágios, especialmente nas praças paulistas, onde as cotações do boi gordo têm se mantido praticamente no mesmo patamar.

Em outras regiões, como Minas Gerais, por exemplo, os ágios chegam a 30 reais por arroba. No entanto, vale ressaltar que esses são cenários variáveis, influenciados por diversos fatores. Uma possível perspectiva para o mercado externo, portanto, continua sendo a de um ano recorde em volume de exportações, mas que em termos de faturamento, pode apresentar um desempenho inferior.

Resumindo, podemos ver uma melhora em termos de escoamento e preços do boi gordo, porém, sem uma recuperação tão expressiva quanto a observada no mês de maio.

Quanto ao mercado interno, podemos ter uma recuperação gradual no consumo no segundo semestre, impulsionada pela menor contração de dívidas dos cidadãos e por um contexto mais favorável em relação à economia. No entanto, o desemprego ainda é um desafio, e o consumo ainda não retornou aos níveis pré-pandemia.

banner whats hub agro

Compartilhe este conteúdo nas redes socias!

Posts relacionados

plugins premium WordPress