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O que pode estar por trás da alta do bitcoin?

Nos últimos dias, destacamos para os assinantes Hub Crypto a baixíssima volatilidade de 30 dias do bitcoin, que chegou a alcançar patamares próximos à sua mínima de 6 anos com o ativo variando menos do que Nasdaq e S&P 500.

Destacamos também um volume de negociação cada vez menor no mercado de futuros, assim como uma queda no mercado spot, diferentemente do que víamos nos níveis de alavancagem, que se encontravam altíssimos. Esta configuração propiciava um ambiente para forte movimento de preço.

Neste contexto, o mercado cripto iniciou um “rally” de alta do bitcoin na terça-feira, fazendo o preço do ativo ultrapassar os US$ 20.000 pela primeira vez em três semanas.

O movimento “bullish” seguiu ocorrendo também na quarta com o BTC rompendo uma importante linha de tendência de baixa. Além disto, do ponto de vista de análise técnica, vemos uma clássica “divergência bullish” no RSI.

gráfico representando a alta do bitcoin

Fonte: Tradingview

 

Sabemos que os temores da inflação e as incertezas macroeconômicas vêm dominando o mercado de criptomoedas, que passou a última semana em “medo extremo” no indicador “Fear and Greed Index”.

Ainda que não tenhamos visto mudanças fundamentais com relação a estes aspectos macro até a quarta-feira, alguns pontos relacionados ao movimento atual merecem destaque. Vamos a eles:

  1. Durante grande parte de 2022, temos visto o bitcoin e o índice do dólar bastante inversamente correlacionados. Ou seja, enquanto o DXY sobe, o BTC cai e vice-versa. Ainda que esta correlação tenha diminuído nas últimas semanas, o movimento que vemos agora nos rememora o fato supracitado, e a fraqueza do dólar contribui para o rompimento da região que vínhamos nos encontrando.
  2. Vimos também um crescimento no mercado de ações na terça-feira. O índice de tecnologia dos Estados Unidos, Nasdaq, ganhou 2.25%. Vimos a Microsoft e o Google, por exemplo, anunciando ganhos. Com o mercado de criptoativos seguindo nesta mesma direção, o indicador de medo e ganância marca, agora, somente “medo”.
  3. Além disto, o Tesouro dos EUA está pensando em aumentar a emissão de títulos de curto prazo para aliviar a escassez. O capital que hoje é investido por fundos em programas de recompra reversa do FED não pode ser alavancado pelo sistema bancário, motivo pelo qual o dinheiro em títulos do Tesouro poderia ser melhor aproveitado para bombear ativos de risco. Atualmente, há US$ 2.2 trilhões nestes sistemas de recompra reversa, e uma redução nestes números pode significar que o dinheiro está indo para mercados mais arriscados, como destaca Arthur Hayes.

Se a quarta-feira não teve grandes eventos do ponto de vista de agenda macroeconômica, a quinta promete ser agitada. Devemos ficar de olho, portanto:

  • Sabemos que o principal driver no mercado atualmente é a macroeconomia, e o FED continuará nos holofotes. O mercado está de olho no relatório do PIB que será divulgado na quinta-feira, às 9h30, para avaliar a política monetária a ser adotada pelo órgão. Espera-se que a economia dos EUA tenha crescido 2.4% no terceiro trimestre, e os resultados poderão ditar o ritmo a ser adotado na reunião de 2 de novembro. Um PIB frustrado pode alimentar especulações de que o aumento nas taxas de juros precisa desacelerar, o que seria benéfico ao BTC.
  • Além disto, devemos ficar atentos também ao núcleo do PCE, também nesta quinta, às 9h30. Espera-se novamente que o núcleo mostre uma inflação persistente na economia, e um aumento de 5.16% a.a. é esperado em setembro, comparado ao aumento de 4.9% de agosto.

 

O fato é que o movimento de alta do bitcoin pegou muitos investidores de surpresa. Vimos aproximadamente US$ 700 milhões em liquidações de apostadores de baixa de ontem para hoje, configurando o maior evento de liquidação deste ciclo.

impactos da alta do bitcoin

Fonte: Coinglass

  

Em nossa avaliação, apesar do cenário de respiro no curto prazo – que era essencial de acontecer tendo em vista que o bitcoin se encontrava em zonas de sobrevenda acentuadas, diga-se de passagem – a percepção se mantém “bearish” para o médio prazo.

É necessário vermos uma estrutura mais sólida e fundamentada antes de uma reversão majoritária de tendência.

Caio Goetze

Formado em Direito pela PUC-RJ e pós-graduando em Direito Digital pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS) em parceria com a UERJ, conta com 3 anos de experiência e diversos cursos de formação acadêmica de bagagem no “criptomercado”.

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