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“The Merge” (ETH): Entenda o que é e como funciona!

the merge ethereum

O que é “The Merge”? Finalmente chegou a semana da tão aguardada mudança no mecanismo de consenso da Ethereum! Na quarta-feira, pela estimativa atual, a rede alcançará o patamar necessário e pré-determinado de Terminal Total Difficulty (TTD), deixando a mineração de lado e passando a adotar o Proof-of-Stake.


Para quem não sabe, hoje, temos basicamente duas Ethereum em operação:

  • Ethereum Proof-of-Work: Rede que conhecemos e estamos acostumados a usar para realizar transações e interagir com protocolos DeFi e Dapps.
  • Ethereum Proof-of-Stake (Beacon Chain): Rede que funciona paralelamente desde 2020 de forma “escondida” e com a qual não conseguimos interagir. Essa rede funciona por meio de validadores ao invés de mineradores, e está pronta para entrar em atividade.

O “Merge” nada mais é do que a fusão entre essas redes, dando origem a uma nova Ethereum que aliará um pouco das características de cada uma: Funcionará utilizando o mecanismo de consenso da Beacon Chain – o Proof-of-Stake – mas com todo o histórico e capacidade de execução da rede que conhecemos hoje (Ethereum PoW). 

Para que isso ocorra, foi ajustado um limite de processamento que deve ser atingido pelo trabalho dos mineradores na rede, o chamado TTD que citamos. Vimos recentemente a implementação do Upgrade Bellatrix, que basicamente preparou o terreno e fez com que a Beacon Chain passasse a supervisionar a Ethereum Proof-of-Work de maneira ativa justamente na espera do atingimento desse TTD, marcando o inicio do momento do Merge.

A intenção com isso tudo é melhorar diversos aspectos da Ethereum, gerando escalabilidade, desafogando o congestionamento da rede, diminuindo a emissão de Ethers, diminuindo o consumo energético em mais de 99%, entre outros fatores. Há, ainda, quem defenda que o processo também gerará descentralização, apesar da polêmica envolvendo o tema. 

 

->> LEIA TAMBÉM: Banir a mineração de criptomoedas é uma alternativa dos EUA?

 

Mas, pera aí, será que é exatamente isso? O Merge vai mudar diretamente tanta coisa assim? Vamos entender melhor, de forma sintetizada, as diversas informações e incompreensões que têm sido divulgadas:


   1) Serão necessários 32 ETH para operar um node?

Não. Há dois tipos de nodes na Ethereum: os que podem propor blocos, que são a minoria, e os que não podem. No primeiro caso, os nodes de fato precisam de 32 ETH em stake, se comprometendo economicamente para atuarem como validadores. No entanto, qualquer um é livre para sincronizar sua própria cópia auto-verificada da rede e ser um node “não-propositor”.


   2) The Merge vai reduzir as taxas de gas e aumentar transações por segundo?

Não, mas… As taxas de gas são um produto da demanda em relação à capacidade da rede. O The Merge é apenas a migração do Proof-of-Work para o Proof-of-Stake, e não altera significativamente nenhum parâmetro que influencie diretamente a capacidade ou o throughput. No entanto, esses efeitos devem ser gerados futuramente em razão da escalabilidade proporcionada por soluções de 2ª camada, como Shardings e Rollups, que serão possíveis graças ao upgrade.


    3) Assim que o Merge acontecer, os valores em staking poderão ser sacados?

Não. Após o Merge, apesar de a rede passar a funcionar em Proof-of-Stake, a retirada de valores em Staking ainda não será possível. Isso só acontecerá após um outro upgrade chamado Shangai, ainda sem previsão de data para ocorrer.


   4) Após a Shangai, stakers irão sacar tudo de uma vez e empurrar o preço para baixo?

Não. As saídas dos validadores serão limitadas pelo protocolo, respeitando um cronograma. Apenas seis validadores poderão sair por Epoch, o que ocorre a cada 6,4 minutos. Isso corresponde a 1350 por dia – ou apenas 43.200 ETH por dia de um total de mais de 10 milhões em stake. Além disso, hoje, apenas 10% dos ETH estão em staking, ao contrário de outras redes que possuem de 50% a 75%.

    5) Após o Merge, a emissão de novos ETH vai diminuir?

Sim! Como o mecanismo passará a ser o Proof-of-Stake, não haverá mais emissão de ETH para mineradores. Esse corte será de mais de 90% e, aliado ao EIP 1559, a Ethereum pode vir a se tornar deflacionária, inclusive.

 

   6) O APR de staking irá triplicar após o Merge?

Provavelmente não. As estimativas mais atualizadas preveem que o Annual Percentage Rate deverá crescer em adicionais 50%, e não 200%, após o Merge.

 

Conclusão: O evento mais aguardado de cripto em 2022 – e talvez da história – irá acontecer nos próximos dias. E, com ele, naturalmente crescem as dúvidas e desinformações circulando pela internet. Ainda que o Merge em si seja “apenas” a mudança no mecanismo de consenso da Ethereum, diversas consequências decorrem dessa atualização. A implementação foi testada por um longo tempo em diversas “testnets” e deve ser realizada com sucesso.

 

Caio Goetze

Formado em Direito pela PUC-RJ e pós-graduando em Direito Digital pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS) em parceria com a UERJ, conta com 3 anos de experiência e diversos cursos de formação acadêmica de bagagem no “criptomercado”.

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