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Semicondutores: a guerra tecnológica travada entre EUA e China!

semicondutores china

Até pouco tempo, a indústria de semicondutores global estava bem integrada em uma cadeia de suprimentos altamente especializada. Cada região realizou uma etapa diferente do processo produtivo e tal arranjo tem sido altamente benéfico para o mercado. Atualmente, a produção de componentes de alto valor na cadeia de suprimentos de semicondutores está concentrada em Taiwan (China) e nos EUA.

Porém, a indústria se tornou muito dependente do livre comércio, e consequentemente, ficou exposta as relações geopolíticas entre essas regiões. Tendo isso em vista, no dia 7 de outubro, os EUA proibiram que empresas americanas exportassem tecnologia, software e equipamentos utilizados para produzir chips de computação avançados e supercomputadores para algumas empresas de semicondutores da China. 

Expondo a crescente preocupação dos EUA com relação a uma modernização militar chinesa e de acordo com as novas regras, os chips de ponta produzidos por empresas americanas não podem mais ser exportados para a China, a menos que as empresas obtenham uma licença específica.

  

Mas o que são semicondutores?

Os semicondutores são uma classe de materiais capazes de conduzir correntes elétricas, sendo matéria-prima para a produção de chips usados nos mais diversos aparelhos eletrônicos, como smartphones, videogames, computadores, carros e até armamentos. Para se entender a importância deles, os semicondutores foram os produtos mais comercializados no mundo em 2020.

semicondutores o que são

Fonte: Deutsche Bank, Bloomberg Finance LP.

  

Contextualizando o conflito no campo tecnológico…

Em 1976, o governo de Taiwan por meio de uma empresa (RCA), fez com que os EUA transferissem a tecnologia aplicada a fabricação desses semicondutores para Taiwan. Desde então, Taiwan aumentou a capacidade de fabricação, enquanto a participação dos EUA na fabricação desse produto caiu drasticamente até os dias atuais.

história semicondutores China

Fonte: Deutsche Bank, Bloomberg Finance LP.

 

A participação da China na fabricação global de semicondutores aumentou de 1% para 15% desse período até os dias atuais, além disso, a China indicou a intenção de expandir sua indústria de chips com até atingir 70% de autossuficiência na produção de semicondutores até 2025.

Agora, deixando a história de lado e voltando o olhar ao período atual, o impacto desse bloqueio a economia chinesa no curto prazo tende ser muito robusto, afinal, não há alternativa viável no momento para os chips, que usam tecnologia americana. 

 

As empresas chinesas ainda estão focadas em montar e testar segmentos de sua cadeia de suprimentos. Sendo assim, a perspectiva é de que as novas restrições dos EUA ofuscarão a meta da China de autossuficiência, além de afetar os planos do país de se tornar um líder em inteligência artificial e carros elétricos até 2030.

Fonte: Deutsche Bank, Bloomberg Finance LP

 

No longo prazo, cortar o acesso da China à tecnologia e equipamentos usados para chips fará com que o desenvolvimento de chips avance nos EUA em ritmo acelerado, e consequentemente, levará o nível tecnológico e computacional chinês para baixo, assumindo pressões competitivas mais fracas da indústria chinesa de semicondutores. Diante disso, espera-se que as empresas americanas aumentem sua participação no mercado global.

Fonte: Deutsche Bank, Bloomberg Finance LP

 

Perspectivas globais…

Como se o cenário não pudesse piorar, devido ao conflito entre Rússia e Ucrânia, a preocupação com a cadeia dos semicondutores acaba aumentando ainda mais.

Com a formação indireta de três blocos internacionais (EUA e aliados, China e aliados e o resto do globo), a tendência é que os EUA continuem se afastando com sua estratégia de dissociação direcionada, o que levaria a uma maior fragmentação da cadeia global de suprimentos de semicondutores.

semicondutores China, EUA e macro

Fonte: Deutsche Bank, Bloomberg Finance LP

 

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Leonardo Ribeiro

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