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O que está acontecendo com a economia na China?

É muito difícil que os investidores consigam entender o que está acontecendo nos mercados globais, e por consequência nos seus investimentos (mesmo os que só investem no Brasil), sem tentar entender o que está acontecendo com uma das maiores economias do mundo: a China.

Recentemente ocorreram inúmeros problemas imobiliários e de gestão de recursos (Wealth Management) chineses, e eles nunca chegaram a uma recessão mais severa da economia, mas o simples fato de que ainda não aconteceu não significa que não acontecerá.

São aqueles incorporadores imobiliários falidos e emissores de produtos de gestão de fortunas que não conseguem pagar seus clientes ultimamente que estão levantando alarmes nas comunidades de investidores institucionais e de varejo.

Novos problemas envolvendo a Evergrande e outras grandes empresas do mercado imobiliário chinês voltam a trazer preocupações para os mercados, como o fato de que Country Garden está enfrentando sérios problemas, acarretando bilhões de dólares de prejuízo.

Com relação ao ponto de vista da macroeconomia, a economia na China mais uma vez caiu na deflação. A última taxa de inflação ano a ano foi de -0,3%, o que é um sinal de que as pessoas não estão conseguindo pagar pelos bens e serviços produzidos no país.

gráfico mostrando como anda a economia na China

 

Como mostra este gráfico, a China caiu em deflação antes, mais recentemente após os bloqueios da economia causados pelo COVID em 2020, e também logo após o crash de Wall Street em 2008-09, e logo após o crash das ponto.com em 2001, e durante a crise asiática de 1997-1998. O que ocorreu no passado foi que, logo após picos deflacionários, uma crise macroeconômica se instaurou.

Nenhum desses períodos deflacionários anteriores ocorreu em tempos bons para a economia global ou asiática, mas o fato de as economias global e regional estarem se mantendo neste momento e a China ainda ter entrado em deflação pode indicar que isso pode ser um sinal de uma crise muito maior problema econômico interno do que Pequim alguma vez admitirá.

A razão para a enorme desvalorização chinesa do yuan em 1994 – da ordem de 33% (veja o aumento nas taxas de inflação, acima) – foi uma terrível recessão em 1993 que nunca foi oficialmente reconhecida pelas autoridades chinesas, mas apareceu nas provisões para perdas com empréstimos bancários, de acordo com alguns especialistas na Ásia.

Oficialmente, não houve recessão, mas a terrível desvalorização foi um grande fator que contribuiu para o início da crise asiática em 1997-1998, que foi desagradável para seus parceiros econômicos locais.

Os chineses têm um novo primeiro-ministro – um leal ao presidente Xi, que fará o que ele disser – então é difícil colocar tanto peso nas promessas do primeiro-ministro anterior, que costumava dizer que nunca usaria a moeda para fazer a economia na China avançar, muito puxada por aumento das exportações.

Porém, o presidente do país tem, de fato, essa tendência, e é provável que possam fazer isso, se sentirem que não têm outra escolha.

 

Uma desvalorização da moeda chinesa seria como um tsunami deflacionário para a economia global. Tal desvalorização seria particularmente difícil para as economias asiáticas voltadas para a exportação e, por enquanto, não se sabe se uma Segunda Crise Financeira Asiática pode estar por vir, apesar das muitas reformas feitas desde a última.

Um mercado imobiliário chinês instável não é bom para a demanda doméstica, já que muitos chineses usam cerca de 60 milhões de apartamentos vazios como suas contas de poupança. Qualquer enfraquecimento adicional do mercado imobiliário deverá ter um efeito notável no crescimento econômico chinês.

O que os chineses fizeram com seu sistema único de capitalismo patrocinado pelo Estado sob a liderança do Partido Comunista Chinês (PCC) foi tentar nivelar os ciclos econômicos normais por meio de uma intervenção draconiana na economia e, assim, evitar recessões.

Nós entendemos que os ciclos econômicos não possam ser resolvidos com empréstimos direcionados e controle estatal do sistema financeiro. Esses empréstimos criam empréstimos ruins e, por fim, criam um problema maior mais tarde.

Estamos observando com grande interesse como a situação da economia na China está se desenvolvendo, pois eles estão atrasados ​​para um acerto de contas. Eles adiaram algumas recessões com suas intervenções desde 1994.

Apesar disso, vários desses problemas já estão incorporados no preço dos ativos de risco chineses, fato esse que faz surgir algumas oportunidades em tal mercado, uma vez que podemos selecionar companhias que sofram menos do que a economia como um todo, e, no limite, até possam sair mais fortes do outro lado.

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AndreTavares

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