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Estoques do café brasileiro estão no nível mais baixo em 23 anos!

Enquanto a demanda global pelo café segue mantendo tendência de alta, com o consumo no período crescendo +1,5% após um aumento de +2% no ano passado (de acordo com pesquisas da HEDGE Point Global Markets), os problemas de oferta nacional refletem a escassez global, o que pode chegar a elevar ainda mais os preços – já em um cenário alimentar inflacionado.  Para se ter noção do tamanho da escassez, os estoques do café brasileiro do tipo Arábica, monitorados pela bolsa ICE Futures dos EUA, estão no nível mais baixo em 23 anos.

 

Além disso, segundo o presidente do National Coffee Council, os estoques devem ser de no máximo 7 milhões de sacas até marco de 2023.gráfico - estoque de café brasileiro

Fonte: Bloomberg

 

Trazendo para o cerne da produção nacional, Antônio Francisquini, maior produtor de café do Brasil e do mundo, em nota informou uma quebra em sua safra 22/23 acima de -70% a/a (ou um total de cerca de 140.000 sacas colhidas) – resultado extremamente abaixo de suas estimativas que previam a colheita de mais de 650.000 sacas.

 

Quais as consequências da queda dos estoques do café brasileiro?

Devido aos suprimentos globais apertados, os futuros de café arábica em Nova York subiram +11% a/a, e o mercado estima que os preços continuem subindo.

Até mesmo para o cenário doméstico, o custo de uma saca em São Paulo (principal área de consumo nacional) aumentou +19% a/a – de acordo com dados da USP.

 Ou seja, de modo geral, tudo leva a crer que teremos um segundo ano consecutivo de demanda em patamares muito maiores que a oferta e preços elevados para o grão.

 

Quais os próximos capítulos do mercado do café?

A nível global e dada a situação do Brasil, é estimado pouco alívio na cadeia de suprimentos apertada. Corroborando ao cenário difícil, espera-se que as condições climáticas causadas pelo La Niña se estendam para os meses seguintes, o que consequentemente trará períodos de maiores secas para o Brasil e chuva em excesso para os solos colombianos (segundo fornecedor de café do mundo).

Além disso, o período com clima adverso também pode prejudicar as colheitas na Guatemala, Honduras e Nicarágua, enquanto no caso do Vietnã, as perspectivas pessimistas já estão consolidadas.

Leonardo Ribeiro

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