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Cameron Winklevoss pede demissão de Barry Silbert, CEO da DCG!

Winklevoss

A novela entre Gemini e Genesis parece ainda estar longe do fim. Após os irmãos Winklevoss, fundadores da Gemini, atacarem a Genesis e a DCG no último dia 2, acusando-as de estarem agindo de má fé e de indisposição em resolver o caso e devolver os valores travados, voltaram subir o tom na tarde de ontem (10/01) para cima de Barry Silbert, CEO da Digital Currency Group (DCG), exigindo sua demissão.

Entenda a relação entre estes “players” clicando aqui.

Em uma carta aberta endereçada ao Conselho da Digital Currency Group, Cameron Winklevoss afirma que sua empresa (Gemini) e mais de 340.000 usuários do produto Gemini Earn foram fraudados pela Genesis Global Capital, pela sua controladora DCG, pelo CEO Barry Silbert e por outros funcionários importantes.

Cameron Winklevoss alega que as partes citadas acima conspiraram para fazer declarações falsas para o público e para os credores, induzindo-os a acreditar que a DCG teria absorvido as intensas perdas que a Genesis sofreu em decorrência do colapso da Three Arrows Capital. Com isso, usuários se sentiriam confortáveis para continuar fazendo empréstimos para a Genesis enquanto a empresa ganhava tempo para sair do buraco que criaram.

 

Qual a teoria de Cameron Winklevoss sobre o que está acontecendo?

De acordo com Cameron, ainda não há total clareza sobre o que está acontecendo nos bastidores. No entanto, seu entendimento sobre os fatos é o seguinte:

  1. A Genesis emprestou US$ 2.36 bilhões em ativos para a Three Arrows Capital (3AC), famoso fundo de hedge que faliu em junho de 2022.
  2. Depois que as garantias foram liquidadas, a Genesis indicou ter ficado com um prejuízo de pelo menos US$ 1.2 bilhão.
  3. Neste momento, Barry Silbert teria duas opções válidas e legítimas para agir:

(a) Reestruturar a carteira de empréstimos da Genesis, fosse em um processo de falência em tribunal, fosse fora desse processo.

(b) Tapar o buraco de US$ 1.2 bilhão.

 

Naquele momento, a carteira de empréstimos da Genesis era de aproximadamente US$ 8 bilhões, o que significa que a perda de US$ 1.2 bilhão da 3AC representaria cerca de 15% dos ativos. Uma reestruturação poderia ter resolvido esse déficit e recuperado totalmente os ativos para todos os credores em um curto período de tempo e com acesso direto à liquidez. Mas Barry optou por não fazer isso, assim como optou por não preencher o buraco de US$ 1.2 bilhão.

Em vez disso, a partir do início de julho de 2022, Barry, DCG e Genesis optaram por mentir publicamente e inventar fatos para fazer os credores – entre eles, usuários do Gemini Earn – acreditarem que a DCG injetou US$ 2.1 bi para socorrer a Genesis. Cameron Winklevoss destaca, por exemplo, que o CEO da Genesis à época, Michael Moro, alegou que “a DCG havia assumido certas responsabilidades da Gênesis relacionadas à 3AC para garantir que tivessem capital para operar e escalar seus negócios no longo prazo”.

Cameron Winklevoss destaca publicação no twitter de Michael MoroFonte: Twitter @michaelmoro

 

Declaração essa que, de acordo com Cameron Winklevoss, é enganosa. Segundo ele, na realidade, a DCG não forneceu nenhum tipo de financiamento para compensar as perdas sofridas pela Genesis com o episódio da 3AC. Em vez disso, firmou uma nota promissória de 10 anos com a Genesis a uma taxa de juros de 1% com vencimento em 2032, o que serviu de “truque” e não resolveu qualquer problema de liquidez imediato.

Nos bastidores, vários funcionários da Genesis e DCG compraram a ideia de fomentar as mentiras. No mesmo dia do tweet de Moro mostrado anteriormente, Matthew Ballensweig, Head de Trading e Lending à época, enviou por e-mail um documento intitulado “Three Arrows Post-Mortem” para diversos funcionários da Gemini que eram responsáveis por gerenciar questões do Gemini Earn. O documento dizia, entre outras coisas, que:

“Perdas [foram] predominantemente absorvidas e compensadas com o balanço da DCG, deixando a Genesis com capitalização adequada para continuar [operando].”

As mentiras teriam sido perpetuadas, inicialmente, por meio de um documento intitulado “Gemini Risk Metric Request”, que Ballensweig anexou ao mesmo e-mail supracitado. Em uma seção do documento chamada de “Position per Asset”, haviam pelo menos duas deturpações:

  • O documento caracterizava a nota promissória da DCG como “ativo circulante”, sendo que uma nota promissória com amortização em 10 anos não se enquadraria nesta tipificação.
  • Avaliava essa nota em US$ 1.1 bilhão. Winklevoss destaca que não há mercado que valorize uma nota promissória de longo prazo sem garantia pelo valor nominal.

Essa contabilização incorreta, repetida em diversos documentos, também aconteceu no balanço de Genesis de 30 de junho de 2022. Poderia ser esse um truque para “fazer parecer” que a Genesis estava solvente e capaz de cumprir com suas obrigações com credores sem que a DCG realmente interferisse com apoio financeiro necessário para tornar isso realidade.

Cameron Winklevoss diz que a situação chegou ao nível atual por conta da ganância da Genesis, que emprestou enormes quantias de dinheiro para a 3AC, mesmo com péssimos colaterais recebidos em contrapartida, porque a 3AC estava usando o dinheiro para negociar o que chamou de “Kamikaze” Grayscale Net Asset Value, uma operação que aumentava os ativos sob gestão (AUM) do Grayscale Bitcoin Trust (GBTC).

Em suma, a 3AC estava agindo como um mero canal para a Genesis, que apostava que as ações do GBTC valeriam mais do que o BTC no futuro, o que não aconteceu de 2021 em diante. Mais detalhes da declaração podem ser vistos aqui.

Por fim, Cameron Winklevoss alega que Barry se provou incapaz de continuar no cargo de CEO da DCG e solicita, em nome da Gemini, que o Conselho da DCG destitua Barry e coloque outra pessoa no lugar para, aí sim, sob nova gestão, consigam alcançar uma solução extrajudicial para o caso.

 

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Caio Goetze

Formado em Direito pela PUC-RJ e pós-graduando em Direito Digital pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS) em parceria com a UERJ, conta com 3 anos de experiência e diversos cursos de formação acadêmica de bagagem no “criptomercado”.

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