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Blackrock: Como o pedido de ETF de bitcoin spot pode impactar o mercado crypto?

Blackrock

Na última quinta-feira, a Blackrock, maior e mais influente gestora de investimentos do mundo, submeteu à SEC o formulário de autorização para lançar um ETF de bitcoin spot nos EUA, o iShares Bitcoin Trust. Passado pouco tempo do anúncio, o preço de tela do BTC já começou a reagir de forma extremamente positiva.

Mas você sabe o porquê de tanto impacto assim?

Antes de mais nada, a decisão da Blackrock evidencia o crescente apetite institucional por BTC, possibilitando que os investidores consigam, uma vez aprovado o ETF, obter exposição ao ativo em meio ao intenso escrutínio regulatório que tem se intensificado sobre as criptomoedas nos Estados Unidos. Binance e Coinbase são apenas os dois casos mais recentes.

E por falar nisso, se a SEC já sentiu o primeiro baque após ter seu pedido judicial para congelar os ativos da BinanceUS negado por um juiz federal norte-americano, o ETF da Blackrock pode cair como um novo golpe para o órgão regulatório.

De acordo com o documento de requisição da gestora, é justamente a Coinbase Trust Company quem será a custodiante das participações em bitcoin do fundo em caso de aprovação, enquanto o Bank of New York Mellon será o responsável pela custódia das moedas fiduciárias do ETF.

 

ETF da Blackrock e seu custodiante

 

Mas o mais interessante disso tudo será ver o embate entre o órgão presidido por Gary Gensler, que sofre pressão parlamentar pedindo por sua remoção da cadeira de liderança, e a maior gestora de ativos do planeta.

Isso porque, por um lado, a SEC nunca aprovou um ETF de bitcoin spot até hoje. Por outro, no entanto, a Blackrock possui um invejável histórico de aprovações de ETF: foram 575 aprovados contra apenas 1 negado, uma taxa de 99,8% de aprovação.

 

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No ano passado, por exemplo, a SEC rejeitou o requerimento da Grayscale para converter o famoso fundo Grayscale Bitcoin Trust (GBTC) em um ETF, levando a empresa a processar o órgão alegando “comportamento arbitrário”, uma vez que ETFs de bitcoin futuros já haviam sido aprovados anteriormente, não restando motivos para a negativa.

E ela não está sozinha na lista de rejeição: 21Shares, Cathie Wood’s Ark Investment, Fidelity, Cboe Global Markets, NYDIG e diversas outras…o que não falta é gente que tentou receber um “OK” da SEC para aprovação de um ETF de bitcoin spot.

Talvez, a essa altura, você esteja se perguntando:

“Mas por qual motivo, então, o resultado seria diferente dessa vez? Por que a SEC aprovaria o pedido?”.

Bem, além do fato de termos a maior do mercado a nosso favor, a Blackrock aposta ainda em um diferencial em relação aos pedidos anteriores: a promessa de um “acordo de compartilhamento de vigilância”, como é estipulado na página 36 do arquivamento 19b-4 da Nasdaq. O intuito é ter mecanismos de evitar manipulações de mercado, algo muito bem visto pela SEC.

 

print do diferencial da Blackrock em relação aos pedidos anteriores

 

Basicamente, a ideia é a seguinte. A Nasdaq, exchange onde o ETF será listado, estabelece um acordo de compartilhamento de vigilância com uma determinada operadora de uma plataforma de negociação spot para bitcoin.

Isso significa que, para garantir a integridade e a supervisão adequada das negociações do ETF, a Nasdaq e essa plataforma irão compartilhar informações relevantes sobre as atividades de negociação, como dados de transação, volumes, ordens e identificação dos clientes.

A SEC já ressaltou anteriormente a importância de acordos de compartilhamento de vigilância em janeiro, quando avaliou a possibilidade da Cboe Digital listar e negociar ações do ARK21 Shares Bitcoin ETF. Além disso, outro ponto positivo se dá pelo reforço das movimentações institucionais desde que o pedido da Blackrock foi instaurado. Neste contexto, o dia de ontem foi extremamente importante por uma série de motivos.

A Invesco, gestora de investimentos com US$ 1,4 trilhão em ativos, que já havia tentado a liberação para um ETF de bitcoin à vista em setembro de 2021, submeteu novamente seu pedido no dia de ontem (20) em parceria com a Galaxy Digital, seguindo a mesma linha de acordos de compartilhamento. Em paralelo, a empresa de gestão de ativos WisdomTree apresentou um pedido para o WisdowTree Bitcoin Trust, também um ETF de bitcoin spot.

Não bastasse tudo isso, o Deutsche Bank anunciou ontem (20) que havia solicitado a licença de ativos digitais para o órgão regulador de valores mobiliários da Alemanha, o Bafin, buscando permissão regulatória para oferecer serviços de custódia de criptomoedas.

Por fim, o interesse institucional fica ainda mais robusto com o lançamento de uma nova exchange cripto apoiada por Citadel Securities, Fidelity Digital Assets e Charles Schwab.

Se, por um lado, a intensificação regulatória tem se acentuado por parte da SEC, por outro, o mercado, principalmente na figura dos investidores institucionais, tem colocado pressão sobre as decisões do órgão, sustentando o apetite por criptomoedas.

O embate é bastante interessante e é briga de gente grande. A dinâmica tem tido reflexo no sentimento do mercado, uma vez que esses gigantes institucionais que operam por meio da CME estão pagando prêmios no futuro de Bitcoin de 12% ao ano nos contratos de três meses. Ponto super positivo.

 

Blackrock e reflexos no mercado crypto

 

Ontem, a CME também teve o maior crescimento diário em open interest de bitcoin entre todas as bolsas de derivativos, ficando na frente da Binance – apesar de, em marketshare de futuros/perpétuos de BTC mensurados por open interest, ficar atrás. As conquistas são bastante significativas.

Recentemente, escrevemos um artigo onde analisamos alguns pontos problemáticos do posicionamento da SEC. Nele, avaliamos que provavelmente poderemos ver um impasse judicial tão longo quanto o que temos acompanhado no caso da Ripple.

É importantíssimo, portanto, que movimentações de gigantes do mercado como esses continuem acontecendo e solidificando a ponte entre o ambiente crypto e o tradicional. É crucial destacar que, ainda que a decisão sobre a aprovação dos ETFs não seja tão rápida, podendo demorar até 240 dias, já começa a construir as bases para a entrada de capital em um próximo ciclo.

 

Acompanhe, abaixo, a possível timeline dos eventos:

 

 

Caio Goetze

Formado em Direito pela PUC-RJ e pós-graduando em Direito Digital pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS) em parceria com a UERJ, conta com 3 anos de experiência e diversos cursos de formação acadêmica de bagagem no “criptomercado”.

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